Uma pesquisa do Ministério do Turismo, divulgada em 2024, revelou que, entre as preferências de viagem dos brasileiros, os destinos de sol e praia lideram com 38%, seguidos por natureza e ecoturismo (12%). Enquanto o turismo cultural histórico representa 5% da preferência. O dado mostra que esse é um segmento com muito espaço para crescer e ser mais bem explorado.
Para quem busca ir além de visitar e realmente conhecer a fundo um destino, esses dois termos costumam ser usados como sinônimos, mas representam propostas distintas: o turismo cultural e o turismo histórico.
Mesmo que em ambos o viajante busque entender mais sobre o lugar, cada um tem o próprio foco. Compreender essa diferença é essencial para o planejamento da viagem, assim como para agências e gestores públicos que desenvolvem roteiros turísticos.
Neste artigo, vamos explorar o que caracteriza a diferença entre turismo cultural e turismo histórico, assim como pontos em comum e exemplos de destinos que ajudam a ilustrar essas distinções.
Neste post você vai encontrar:
O que é turismo cultural?
O turismo cultural é a viagem com a intenção de vivenciar e compreender o modo de vida, as tradições, a história, os patrimônios e as manifestações culturais de um povo.
O principal intuito desse segmento é ir além de visitar o destino e, sim, conhecer a cultura através da gastronomia, das histórias locais, da rotina dos moradores e das manifestações culturais. Mais do que visitar, o turista cultural busca sentir na prática como as pessoas de determinado lugar vivem e se expressam.
Para essa experiência de imersão cultural, o viajante pode vivenciar alguns exemplos práticos, como:
- Experimentar a comida regional em feiras e mercados locais, como tomar um açaí no Ver-o-Peso.
- Visitar patrimônios culturais e centros históricos, como o Patrimônio Mundial Coliseu, em Roma.
- Participar de festas e festivais populares, como o Festival de Parintins.
Esse tipo de turismo engloba vários segmentos, cada um com seu próprio tipo de reconhecimento e valorização do destino. Por causa disso, pode ser dividido em várias categorias, como turismo cívico, turismo gastronômico, turismo cinematográfico etc.
Se você quiser se aprofundar nesse segmento e nos principais tipos que o compõem, pode ler o artigo: Turismo Cultural: Guia Completo para Viajar com História, Arte e Cultura
O que é turismo histórico?
Agora que você já viu o que é turismo cultural, que coloca o viajante em contato direto com a identidade de um povo, vamos entender o significado de turismo histórico.
O turismo histórico tem como foco conhecer a história do local no passado e como é refletida no presente. Ou seja, conhecer o contexto histórico que marca o destino.
Essa trajetória pode ser vista através de:
- Explorar monumentos, patrimônios e centros históricos. Como conhecer o conjunto arquitetônico colonial do Centro Histórico de Olinda.
- Visitar ruínas e sítios arqueológicos, como o Parque Nacional da Serra da Capivara, com suas pinturas rupestres.
- E conhecer museus, como o Museu Histórico Nacional, que conta a formação histórica do Brasil.
Diferente do turismo cultural, em que a motivação é a vivência ativa, o turismo histórico é centrado em registros e construções que remetem a épocas passadas.
Essa permanência do passado no presente é de grande importância. Como citado no artigo científico “Turismo Histórico: explorando lugares que contam a nossa história e preservam o patrimônio cultural”, contemplar esses patrimônios evita que a história seja esquecida.
Principais diferenças entre os dois
| Aspecto | Turismo Cultural | Turismo Histórico |
| Objetivo da viagem | Compreender o modo de vida atual de um povo | Conhecer fatos e períodos do passado |
| Tipo de experiência | Vivencial e participativa | Contemplativa e educativa |
| Temporalidade | Presente e vivo | Passado registrado |
| Foco principal | Costumes, tradições, artes, gastronomia | Monumentos, fatos, marcos temporais |
| Público-alvo | Viajantes que buscam imersão e experiências autênticas | Viajantes interessados em aprendizado e memória histórica |
O que é turismo histórico-cultural?
A relação entre o turismo cultural e o turismo histórico é intrínseca, já que muitos destinos carregam ao mesmo tempo o passado histórico e a cultura viva presente.
Em muitos destinos, o turista vai entrar em contato com os dois tipos de turismo ao mesmo tempo. Apesar das diferenças entre eles, existe uma ligação natural que permite ao viajante transitar entre as duas experiências: a história nas arquiteturas e a cultura nas ruas.
Um bom exemplo são os centros históricos que abrigam tanto monumentos que contam a história do local quanto feiras com comidas regionais e artesanatos, festas e tradições que percorrem as ruas históricas. É o caso do Centro Histórico de Belém que, além das construções históricas, tem logo ao lado o Mercado Ver-o-Peso, com suas comidas regionais e muito artesanato.
Exemplos destinos culturais e históricos
Para melhor compreensão de cada tipo desses segmentos, assim como a sua combinação, aqui está uma lista de alguns destinos que os representam.
Destinos de turismo cultural no Brasil e no mundo
Salvador (BA) é considerada um dos maiores centros da cultura afro-brasileira e oferece uma imersão em tradições vivas: as rodas de capoeira nas ruas do Pelourinho, os terreiros de candomblé, os cortejos do Carnaval fora de época e a culinária baseada no azeite de dendê, no acarajé e no vatapá. Além de festas populares, como o Festival da Lavagem do Bonfim.

Bali (Indonésia) é uma ilha marcada pela forte presença do hinduísmo balinês, onde os rituais fazem parte do cotidiano visível, como oferendas coloridas (canang sari), cerimônias como o Nyepi (Dia do Silêncio) e as procissões nos templos de Uluwatu e Tanah Lot. A culinária local, as danças típicas como o Kecak e o artesanato têxtil (batik) completam a experiência cultural imersiva da ilha.

Tanto no Brasil quanto no mundo, há diversas cidades culturais cheias de tradições e sabores esperando para serem exploradas. Quer conhecer alguns desses destinos? Leia o artigo: Cidades Culturais: Os Melhores Destinos para Viajar no Brasil e no Mundo
Destinos de turismo histórico
Machu Picchu (Peru) foi erguida no século XV pelos incas e redescoberta apenas em 1911. É um dos sítios arqueológicos mais importantes da América do Sul e impressiona pela engenharia de suas construções em pedra e pelo entendimento astronômico refinado de seus templos. É um Patrimônio Mundial da UNESCO e atrai viajantes interessados em compreender a organização, a religiosidade e o cotidiano do Império Inca antes da colonização espanhola.

Centro Histórico de Havana (Cuba) é tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1982 e reúne um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais bem preservados da América Latina. Suas praças, como a Plaza Vieja e a Plaza de la Catedral, os fortes que protegiam a cidade dos ataques de piratas e os edifícios que remetem aos séculos XVI a XVIII contam a trajetória de Havana como um dos principais portos coloniais espanhóis do Caribe.

Destinos de turismo histórico-cultural
Ouro Preto (MG) é a antiga capital de Minas Gerais e símbolo do ciclo do ouro no Brasil colonial. É reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial desde 1980. Suas igrejas barrocas, esculpidas em parte pelo Aleijadinho, e seus casarios coloniais preservados oferecem uma imersão histórica marcante. Ao mesmo tempo, a cidade mantém viva sua cultura por meio de festas religiosas, como a Semana Santa, e de uma cena artística e universitária pulsante, unindo memória histórica e vivência cultural em um só destino.

Roma (Itália) é a capital que carrega mais de 2.500 anos de história, reunindo marcos históricos como o Coliseu, o Fórum Romano e o Panteão, testemunhos do auge do Império Romano. Ao mesmo tempo, a cidade é palco de uma cultura viva e influente: a gastronomia local, as tradições religiosas ligadas ao Vaticano e a vida cotidiana nas praças e trattorias tornam Roma um destino em que o passado monumental convive lado a lado com experiências culturais contemporâneas.

Por que essa diferença importa para o seu roteiro de viagem?
Conhecer cada significado e os destinos que ilustram esses segmentos permite que a diferença entre turismo cultural e turismo histórico possa ser compreendida em dois níveis.
Para o viajante, que passa a entender a distinção, facilitando o planejamento da viagem e a escolha do destino condizente com sua motivação.
E para o setor de turismo, para quem essa distinção é fundamental na criação de roteiros, campanhas de marketing e políticas públicas específicas para cada segmento do destino.
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Embora turismo cultural e turismo histórico estejam interligados, cada um possui sua própria proposta. O primeiro convida o viajante a vivenciar a cultura presente de uma comunidade, enquanto o segundo o convida a compreender o passado que moldou aquele lugar.
Reconhecer essa diferença garante viagens mais enriquecedoras alinhadas ao que o turista deseja vivenciar em sua viagem. Seja para dançar ao som de uma tradição local, seja para caminhar entre ruínas milenares em busca de história.
No fim, a melhor experiência de viagem muitas vezes está justamente na combinação equilibrada entre esses dois universos.
Me conte nos comentários: qual tipo de turismo você deseja conhecer na sua próxima viagem?
E para ótima leituras sobre turismo cultural e patrimônios culturais, aqui está um artigo com 3 Livros sobre Turismo Cultural Essenciais para Estudantes de Turismo e Viajantes Culturais